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Depressão pós-parto: conheça as causas e os tratamentos

Distúrbio grave e sem raízes estritamente psicológicas é causado pelo desequilíbrio entre os hormônios progesterona, estrogênio e ocitocina

Torsten Mangner / Flickr: Yin & Yang / CC BY-SA 2.0

Por se tratar de um tipo de depressão completamente diferente citados nos artigos anteriores, trataremos de de maneira específica. A depressão pós-parto é um distúrbio grave e de causa estritamente orgânica por ser um desequilíbrio hormonal e a princípio não ter relação com causas psicológicas.

As exceções ficam por conta dos casos em que a mulher já apresenta tendência ao comportamento depressivo ou sofre de transtorno de ansiedade generalizada (TAG) antes de engravidar. O médico deve ser avisado sobre a gravidez o quanto antes para que o tratamento adequado seja feito sem causar problemas à mãe e ao bebê.

Como agem os hormônios femininos

Normalmente, os hormônios que agem no organismo da mulher a partir dos ovários são o estrogênio e a progesterona. O primeiro, produzido pelas glândulas suprarrenais, é responsável por estimular o crescimento do óvulo e manter a saúde do endométrio, a mucosa que reveste o útero. A progesterona, produzida pelos ovários, placenta, e suprarrenais, é importante para preparar a parede do útero para aceitar o óvulo fertilizado. Durante o parto, entra em ação a ocitocina, hormônio produzido pela hipófise e responsável por fazer a contração do útero no momento do parto e contrair as mamas para proporcionar a amamentação.

Quando a produção de progesterona ao longo da gravidez acontece de forma normal, ela equilibra os efeitos psíquicos da ocitocina e reduz a chance de ocorrer depressão pós-parto. No entanto, quando os ovários produzem níveis de progesterona abaixo do esperado, pode ocorrer um desequilíbrio hormonal no momento do parto, quando a ocitocina é liberada em maiores quantidades e se mantem em níveis elevados durante a amamentação.

Ocitocina

Em quantidades maiores que a progesterona, a ocitocina provoca na mulher sensações de rejeição à gravidez e ao bebê. A partir destas percepções, que geram sentimentos extremamente desagradáveis, tensos e tristes, a gestante começa a se sentir cada vez mais melancólica e termina depressiva sem que nada possa fazer para afastar a pouca vontade que sente de ficar perto do bebê, de amamentá-lo ou cuidá-lo.

Mudar este sentimento não depende de ter vontade, consciência ou amor, mas de interromper a produção de ocitocina e proceder com medicação a fim de recuperar o equilíbrio hormonal do organismo.

Esse desequilíbrio pode ocorrer também em animais, tanto que é comum ouvirmos casos de fêmeas que devoram alguns filhotes assim que eles nascem. Tal desequilíbrio em animais é causado pela baixa produção de progesterona pelos ovários e está ligada ao uso de anticoncepcionais em animais domésticos, à demora prolongada para a primeira gestação, a condições ambientais adversas que ameacem a sobrevivência dos filhotes e algumas vezes uma tendência genética da fêmea em questão.

A incidência de ovários pouco eficazes, que resulta em baixa produção de progesterona, ocorre em razão do uso prolongado de anticoncepcional hormonal como dispositivo intrauterino (DIU), pílula contraceptiva e implantes intradérmicos) e oesenvolvimento de ovários micropolicísticos (pequenos cistos que se formam nos ovários por deficiência na produção de hormônio.

Quando há a interrupção do uso de hormônio, os ovários começam a produzir altos níveis de progesterona. A quantidade, contudo, é inferior à alcançada por ovários de mulheres que não tomaram anticoncepcionais hormonais ou tomaram durante um período mais curto.

A produção de progesterona leva cerca de seis meses para recuperar seus níveis normais. Se a mulher engravidar antes disso, há chances de ocorrer o desequilíbrio hormonal citado anteriormente em virtude da produção de ocitocina ser, neste caso, maior do que a de progesterona. A tendência é que haja rejeição à gravidez e/ou ao bebê. Alguns sintomas que atuam no inconsciente evidenciam a depressão pós-parto:

  • Rejeição à gravidez – a mulher tenta esconder a gestação usando roupas apertadas, ignorando seu estado ou comportando-se como se não estivesse grávida;
  • Parto em casa – se houver possibilidade, a mulher preferirá ter o bebê em casa para não expor sua condição de mãe. Seu sentimento é de rejeição ao quadro gestacional.
  • Amamentação – ao ouvir o bebê chorar querendo mamar, a mãe recebe uma carga de ocitocina que reforça seu sentimento de rejeição e a faz entrar em um conflito entre raiva e culpa;
  • Excesso de zelo – enquanto depressiva, é comum a mulher achar que o bebê parou de respirar ou que tem uma doença grave. Pensamentos desse tipo demonstram a mistura entre a culpa e o desejo de ficar longe dele.

Tipos de depressão pós-parto

A depressão pós-parto pode acontecer em dois níveis de gravidade:

  • Psicose puerperal (gravíssima) – acomete a mulher durante os sete primeiros dias após o parto. O desequilíbrio entre a progesterona e a ocitocina é tão grande que ela chega a causar quadro psicótico. É nesse estágio que ocorrem os casos de abandono ou assassinato.
  • Depressão pós-parto (grave) – é o tipo mais comum e acomete a mulher a partir da segunda semana após o parto. Nesse caso, o desequilíbrio entre progesterona e ocitocina não é tão acentuado e a intensidade dos sintomas são mais brandos do que na psicose puerperal. Mesmo assim, é uma doença grave e precisa ser tratada o quanto antes, pois coloca em risco a saúde física e psíquica da mãe e do bebê.

É importante ressaltar que a mulher com psicose puerperal não tem condições de avaliar o que está fazendo e isso pode ser notado a partir de comportamentos distintos de quando os níveis estejam equilibrados.

Tratamento

É importante procurar ajuda médica assim que a própria mulher, alguém de sua família ou convívio diário notar comportamentos estranhos, como tristeza, irritação, melancolia e atitudes para evitar o contato com o bebê.

Muitas vezes, o ginecologista que acompanha a mãe ou o pediatra que cuida da criança pode não se perceber a condição patológica presente e forçar a mãe a continuar amamentando o bebê e ressaltar a importância do leite e do contato no desenvolvimento dele. Nesses casos, continuar a amamentação significa agravar o quadro de depressão.

Quando houver dificuldade para que o aleitamento ocorra de forma espontânea, natural e agradável, o ideal é que a mãe se consulte com um psiquiatra para falar de seus sentimentos e, conduzida por ele, compreender melhor o que está acontecendo.

Uma vez diagnosticada a depressão pós-parto, alguns passos deverão ser rigorosamente seguidos para evitar consequências extremas como o suicídio da mãe:

  • interromper imediatamente a amamentação, com orientação médica, para que seja interrompida também a produção de ocitocina pela hipófise;
  • iniciar a medicação prescrita pelo psiquiatra o quanto antes. Geralmente, serão indicadas altas doses de antidepressivo tricíclico, a fim de que o sofrimento possa ser amenizado rapidamente, já que a angústia e a aflição de uma mulher com depressão pós-parto são realmente profundos;
  • manter, se possível, o bebê distante da mãe, por aproximadamente 15 dias, que é o tempo necessário para que a medicação antidepressiva faça efeito e ela se sinta tranquila e equilibrada novamente.

Após cerca de 15 dias com o uso adequado de medicação, é muito provável que a mãe já se sinta pronta para exercer seu papel de forma muito afetuosa. Todos – mãe, bebê, companhia e familiares – sentem-se retomando o sonho da maternidade, pois um bebê é sempre motivo de grandes alegrias.


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