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Como tratar a depressão?

Entenda como funciona o processo de medicação, além de terapias que auxiliam na diminuição dos sintomas de distúrbios depressivos

Thomas Szynkiewicz / Flickr / CC BY 2.0

O tratamento da depressão é feito de acordo com o diagnóstico e as particularidades de cada caso. Por essa razão é importante que o tratamento seja feito por médicos competentes e que o paciente se sinta confiante em relação aos familiares ou cuidadores.

Reações depressivas breve e prolongada

Em casos de reação depressiva breve, geralmente, a medicação alopática é desnecessária e pode ser sugerido um tratamento psicológico e/ou alternativo, conforme a indicação do médico em conjunto com a preferência do próprio paciente.

Porém, quando a reação depressiva é prolongada, o médico prescreve normalmente um antidepressivo do tipo “inibidor seletivo de recaptação de serotonina” que é compatível com os sintomas percebidos por ele e relatados pelo paciente.

O ideal é que já durante o período de tratamento medicamentoso, a pessoa busque também ajuda psicológica para compreender porque se sente paralisada diante de sua dor e sem uma reação positiva com o passar do tempo.

Essa atitude combinada, garante maior eficácia do tratamento, especialmente, quando a medicação alopática for suspensa, já que o paciente, possivelmente, terá aprendido a lidar melhor com seus sentimentos. 

Transtorno afetivo bipolar (ou monopolar)

Após cerca de um ano de observação do comportamento do paciente (oscilação grave e recorrente de humor), ou seja, assim que é diagnosticado o transtorno, o psiquiatra deverá prescrever a medicação própria para este tipo de doença, que é quase sempre à base de sais de lítio associados ou não a outras medicações.

O lítio é um elemento químico muito eficiente para estabilizar o humor. Sua função é impedir que o paciente entre no ciclo de oscilação característico deste transtorno. Pessoas com transtorno bipolar devem tomar essa medicação por toda a vida.

Por causar vários efeitos colaterais, o lítio deve ser prescrito com bastante cuidado e na dose ajustada, conforme o caso. A quantidade é determinada a partir da realização de exames específicos que analisam o organismo do paciente.

Vale lembrar que as quantidades normais de lítio no sangue de uma pessoa que não usa este tipo de medicação são sempre ínfimas e a ausência deste mineral, em exame de sangue, não constitui diagnóstico ou tendência à depressão.

Quando o paciente estiver deprimido, a medicação deverá ser associada com antidepressivo do tipo tricíclico, que amenizará os sintomas depressão e o ajudará a recuperar o ânimo. Quando ele estiver eufórico (maníaco), a medicação deverá ser associada com um neuroléptico, que age de forma psicotrópica e possui efeitos sedativos e psicomotores, além de evitar o aparecimento de surtos psicóticos (alucinações e/ou atitudes agressivas).

É importante lembrar que a associação do lítio a um neuroléptico, chamado Haloperidol, pode ser muito perigosa e deve ser evitada por aumentar muito os riscos de neurotoxidade (lesão neurológica irreversível). Para a associação segura como lítio, deve-se sempre preferir neurolépticos da família das butirofenonas. (veja box sobre os danos causados pelo uso indevido do lítio).

O acompanhamento frequente com o psiquiatra é fundamental para reavaliar a dosagem de lítio caso seja necessário. 

Danos causados pelo uso indevido do lítio

Deve-se tomar extremo cuidado com diagnóstico errado de distúrbios psiquiátricos. O consumo de lítio, em doses equivocadas, pode causar graves danos ao organismo, como intoxicações renais, neurológicas e da tireoide, além de inibição da medula óssea (anemia aplástica). 

Distimia ou ciclotimia

Este tipo de depressão, embora tenha sintomas mais moderados, apresenta duas características que tornam o tratamento mais delicado: não requer prescrição de remédios alopáticos e não responde bem à medicação antidepressiva. Contudo, há indicação de psicoterapia para identificação das causas pessoais que conduzem o indivíduo a este estado depressivo de humor. Sejam com ou sem o uso de medicação, os resultados costumam ser bem mais demorados e dependem da motivação e decisão do paciente.

Os pacientes distímicos ou ciclotímicos, geralmente, tornam-se tão apáticos que não encontram motivação para buscar ajuda. Ao receberem sugestões de tratamento permanecem “acomodados” em seu mundo solitário e sem cor. Os familiares e amigos, que geralmente percebem os sintomas, sentem-se impotentes e frustrados diante da tentativa fracassada de ajudar a reverter este quadro depressivo.

Conversar, sugerir e se mostrar solícito são maneiras positivas de ajudar, mas a decisão de buscar ajuda tem de ser do paciente. Essa decisão é algo absolutamente particular e não pode ser delegada por ninguém além dele mesmo.

Depressão sintomática

O tratamento deste tipo de depressão está estritamente vinculado ao tratamento da doença original, ou seja, do problema que provocou o aparecimento da depressão.

Ao se combater eficazmente a doença física (aids, câncer, hepatite, doença de Alzheimer, entre outras), a tendência é que a depressão desapareça. Contudo, o uso de antidepressivos, por vezes, é indicado uma vez que tais depressões tendem a ser graves.

Em todo caso, apesar das causas não serem psíquicas e sim orgânicas, é importante que a equipe médica indique o acompanhamento de um psicólogo assim que os sintomas da depressão surgirem - pois não é fácil lidar com as consequências de uma doença grave e todas as alterações que elas provocam na rotina de vida do paciente. O que se iniciou como depressão sintomática pode facilmente se tornar uma reação depressiva. 

Comorbidade depressão e transtorno de ansiedade generalizada (ou síndrome do pânico)

O tratamento nesse caso é prescrito a partir de um diagnóstico que deve ser detalhado e preciso. O psiquiatra investiga se há outros transtornos associados até descobrir o motivo que levou o paciente a procurar ajuda. 

Após ser definido o diagnóstico, o profissional prescreve tratamento considerando alguns fatores como:

  • presença ou não de outras doenças associadas;
  • gravidade, intensidade e comprometimento do transtorno;
  • tempo de acometimento (surgimento dos sintomas);
  • fatores psicológicos a serem avaliados em consulta clínica.

São indicados normalmente antidepressivos inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS). Esses remédios têm ação específica e são muito eficientes contra as crises de ansiedade, mas demoram de quinze a vinte dias para fazer efeito. Eles devem ser usados por períodos que variam entre, no mínimo, seis meses até cerca de dois anos ou mais conforme o caso.

O equilíbrio é recuperado, geralmente, em torno de doze semanas, quando há boa adaptação ao tratamento medicamentoso. O objetivo é reconduzir o paciente dia após dia a uma vida produtiva e adaptada ao meio em que vive até atingir a cura. Muitas vezes, nesse processo, o uso de outras medicações em associação se faz necessário, como ansiolíticos e estabilizadores de humor.

É unânime entre os psiquiatras que o controle eficaz do pânico e, portanto, da depressão decorrente deste transtorno somente é possível com tratamento psicoterápico. É a partir desta combinação que o paciente terá chance de identificar os fatores emocionais inconscientes que o levaram às crises recorrentes.

Foto: Pexels / CC0


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