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Como se tornar mais produtivo

A meditação, além de diminuir o estresse, pode nos transformar em trabalhadores mais eficientes

Ryan Ritchie / caffeinating, calculating, computerating / CC BY-ND 2.0

O aumento da produtividade ajuda a diminuir a necessidade de horas extras e reduz a insatisfação dos empregados

Como sua cultura supervaloriza a carreira, o Japão possui uma das maiores jornadas de trabalho mundiais. A maioria dos cidadãos daquele país ultrapassa as 40 horas semanais de trabalho previstas pela lei. É comum por lá as empresas pagarem muitas horas extras ao invés de contratar novos trabalhadores. Isso é duplamente cruel, pois aumenta o desemprego e estimula que as pessoas contratadas assumam cada vez mais horas em razão do medo de perder seus empregos. Como resultado, o trabalho é apontado como a principal causa de estresse por mais de 70% da população japonesa de acordo com uma pesquisa do governo feita em 20104.

Dessa forma, as empresas japonesas atentas a esse dilema passaram a implantar em seus escritórios aromaterapia, bares, feng shui, karaokê, máquinas de dança, videogames e outras atividades para diminuir o estresse físico e mental de seus funcionários. E dessas atividades, o tai chi e o qi gong – duas práticas milenares que usam exercícios meditativos e posturais – receberam destaque por seus efeitos benéficos tanto ao trabalhador quanto à empresa.

Implantadas a priori para a diminuição do estresse dos funcionários, observou-se também uma melhora significativa da produtividade nos escritórios que adotaram tais práticas, tornando-se corriqueira a imagem de executivos fazendo seus exercícios nas coberturas dos prédios comerciais em Tóquio. O aumento da produtividade, por sua vez, ajuda a diminuir a necessidade de horas extras e reduz a insatisfação dos empregados.

Mais atenção e produtividade

Isso se dá porque, ao contrário da crença ocidental comum, a meditação não “esvazia” a mente. Ao contrário, um estudo divulgado na revista Psychological Science em 20101 demonstrou que pessoas submetidas a sessões de meditação antes de realizar tarefas tediosas tiveram maior facilidade de perceber detalhes e manter a atenção.

Em uma pesquisa sobre ioga de 2005 da Universidade de Duisburg-Essen2, além dos efeitos imediatos na redução do estresse notou-se também resultados similares sobre a concentração. E ambas as pesquisas confirmavam o livro de Richard Sulikowski3, que relata sua observação de 20 anos sobre o aumento da produtividade em seus alunos de qigong.

Talvez por isso, seguindo o exemplo japonês, várias empresas ocidentais vêm personalizando os espaços de descanso de seus funcionários, com o objetivo de deixá-los relaxados. Em Florianópolis, uma empresa disponibilizou alguns videogames para seus funcionários. Já no prédio da Assembleia Legislativa da cidade, serviços de massagem relaxante são oferecidos aos que lá trabalham. Porém, ainda são poucos os programas que, de fato, oferecem atividades de meditação como opção no Brasil.

Tais iniciativas são importantes porque a realidade do brasileiro não é mais branda que a dos asiáticos. Nossa constituição prevê uma jornada de até 44 horas, sendo que em alguns estados – como Mato Grosso e Amapá – a jornada real é superior, segundo dados de 2012 do IBGE. O costume brasileiro de “vender” as horas de folga agrava ainda mais o quadro, dificultando alcançarmos as 40 horas semanais japonesas.

Então o que fazer frente a essa realidade? Ora, se a meditação não vem até você, traga-a com suas escolhas. Que tal optar fazer seus intervalos em um ambiente mais calmo, como uma sala não utilizada da empresa, ao invés de barulhentas cafeterias e lanchonetes?

Por que não relaxar durante esse tempo, por conta própria, respirando profundamente algumas vezes, ao invés de simplesmente se jogar em frente a uma televisão? Os benefícios da calma e da desaceleração valem muito mais do que botar a fofoca em dia com os colegas. Permita-se conquistar a serenidade e, através dela, aumente seu desempenho profissional.

Foto: Thinkstockphotos


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Referências

1. MacLean, Katherine A., et al. Intensive meditation training improves perceptual discrimination and sustained attention. Psychological Science, v. 21, n. 6, Estados Unidos, jun. 2010, pp. 829-839.
2. Michalsen, Andreas, et al. Rapid stress reduction and anxiolysis among distressed women as a consequence of a three-month intensive yoga program. Med Sci Monit, Alemanha, v. 11, n. 12, pp. 555-561, 2005.
3. Sulikowski, Richard. Qigong increases productivity. Reino Unido: Acad. Exch. Med. Qicong, 1996.
4. Trabalho e economia são as principais causas de estresse no Japão. International Press, Japão, 7 ago. 2010. Disponível em: http://www.ipcdigital.com/br/Noticias/Japao/Trabalho-e-economia-sao-as-principais-causas-de-estresse-no-Japao_07082010. Acesso em 7. nov. 2013.