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Chupeta: uma visão sob o conceito da biocibernética bucal

Esse simples objeto parece inofensivo, mas pode trazer alguns problemas para a saúde bucal da criança

joffi / Pixabay / CC0 Creative Commons

Desde os primórdios da existência humana, adultos tentam uma forma de acalmar os recém-nascidos. Objetos e evidências arqueológicas mostram que há 3 ou 4 mil anos já existiam artefatos usados com esse intuito. Na época, eram usados itens feitos de tecidos trançados, presos no berço apenas e não nas roupas, como a chupeta atualmente, nos quais os responsáveis colocavam vários produtos para atrair a atenção e o paladar das crianças. Inclusive, eram usados saliva da mãe, mel e láudano (substância derivada do ópio) para fazer com que os pequenos não chorassem e, assim, não desestruturassem psiquicamente os pais e os adultos com quem conviviam.

Digo que eram usados para não desestruturar psiquicamente, pois vemos o choro apenas como uma forma de dor, tristeza, angústia e sofrimento. Porém, esquecemos que o bebê saiu recentemente do útero materno, não usava os pulmões da mesma forma que após o nascimento. Então, esse choro encarado apenas como algo ruim, tende a abalar as pessoas ao redor que gostariam de evitar que isso acontecesse.

A chupeta

A chupeta é um assunto polémico. Há quem a defenda e há quem a acuse e, por conta disso, se discute até hoje os malefícios e benefícios que o uso deste artefato pode acarretar à criança. Sob a ótica da biocibernética bucal, conceito e escola de oclusão da odontologia desenvolvido pelo cirurgião dentista brasileiro Mário Baldani, por volta de 1970, a boca tem uma função primordial na saúde e harmonia de qualquer indivíduo. De acordo com a formação dessa cavidade e das estruturas adjacentes, a pessoa terá uma ou outra postura.

O que acontece?

O ser humano nasce sem dentes e o trabalho exercido pela musculatura da face vai desenvolver a boca. Se essa região for desenvolvida de forma errada, irá proporcionar uma função alterada do que seria o biológico. No caso específico do uso da chupeta, mesmo que ortodôntica, existe um processo de sucção e pressão negativa, e com isso a musculatura usada faz com que a estrutura óssea da boca seja mais estreita do que poderia ser.

Com a cavidade bucal estreita, a língua fica sem espaço e se aloja na garganta (orofaringe). Inicia-se, então, o processo de respiração bucal. Instalada essa disfunção respiratória, por desenvolvimento inadequado da boca, o oxigênio que deveria entrar pelas narinas, para ser filtrado, umidificado e aquecido, passa pelo seio maxilar, encontra a língua na garganta e, com isso, a criança abre a boca para respirar, numa adaptação do organismo para que respire, sobreviva.

Respirar pela boca

Muitas crianças respiradoras bucais apresentam quadros de amigdalites frequentes, e algumas vezes são submetidas a cirurgias que poderiam ser evitadas e/ou resolvidas de outra forma, dependendo da idade e dos hábitos.

Os respiradores bucais apresentam diversos outros sintomas como face alongada, olheiras, ronco, dores de cabeça frequentes, entre outros. Com o déficit respiratório, o organismo todo (corpo e cérebro) tem que se adaptar para trabalhar, desencadeando outras disfunções, como a postural, numa constante readaptação na tentativa de que opere da forma adequada. Essas pessoas também têm o queixo pequeno (retrognatismo), devido ao não desenvolvimento da mandíbula (parte inferior da boca). Com isso, coloca-se a cabeça para frente, o que pode ocasionar, quando jovens ou adultos, uma retificação cervical.

Liberar a chupeta?

A maioria dos pais pretendem, inicialmente, não estimular o uso desses artifícios bucais, mas na grande maioria das vezes a chupeta é introduzida à criança na própria maternidade, por orientação de alguns profissionais ou da própria família e amigos. Com certeza absoluta essa sugestão não é feita para criar disfunções nos recém-nascidos, mas é o que acaba acontecendo por falta de conhecimento.

Desde o nascimento até por volta dos 2 anos, a criança está na fase oral. Ela tem prazer imenso através da boca. É nessa fase que os responsáveis tentam introduzir a chupeta, mas a grande maioria das crianças não aceita nas primeiras tentativas. Elas cospem! Ainda assim, os adultos inserem novamente o objeto, até que os pequenos aceitem, o que pode não ser bom.

Uma teoria existente é que é mais fácil tirar a chupeta do que o dedo, caso ela crie esse hábito. É natural que a criança coloque a mão ou outros dedos na boca até o fim da fase oral. A minoria vai continuar com esse costume, ou vício. Mas, por prevenção, sugere-se colocar a chupeta.

O Ministério da Saúde obrigou os fabricantes de chupetas, chucas e mamadeiras a colocarem um aviso na embalagem sobre os riscos do uso desses objetos, mas infelizmente a lei permite que as informações sejam mascaradas, com letras pequenas e na mesma cor que os outros dados do produto. Com isso, os perigos passam-se despercebidos e a maioria das pessoas continua achando que a chupeta, mesmo ortodôntica, pode não trazer malefícios.

O mais importante é que caso as crianças estejam usando ou tenham usado chupetas, de qualquer marca ou forma, com elasticidade ou não, importadas ou nacionais, os pais não devem sentir-se culpados. Sempre existe uma forma de amenizar os prejuízos que podem ser causados por esse tipo de artifício.

Não vou colocar aqui que apenas a chupeta, chuca e a mamadeira são os únicos fatores que desencadeiam todas as disfunções citadas acima. Existem outras situações, como a falta de amamentação, alimentação muito mole e a própria genética. Isso tudo resulta na falta de desenvolvimento da mandíbula e numa diminuição do espaço bucal. Mas, com certeza, as chupetas e similares são motivos de grande importância na alteração da formação e evolução de um ser humano mais saudável.