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Chá natural: como cultivar em casa

O plantio caseiro e orgânico garante ervas saudáveis, livres de agrotóxicos e disponíveis a qualquer momento

Flickr: Maggie Hoffman / CC BY 2.0

Cultivar ervas frescas em casa é uma prática sustentável que requer apenas cuidados básicos

Ter ervas sempre frescas à mão é o sonho de todo apreciador de chás. Plantar e colher em casa garante uma variedade de produtos bem-cuidados e sem misturas. Isso é possível mesmo para quem não têm muito espaço em casa ou no apartamento.

Para criar um cantinho que produza boas ervas é necessário seguir algumas orientações básicas, como providenciar iluminação e plantio adequado. É importante que elas recebam pelo menos cinco horas de sol direto diário e estejam em vasos ou jardineiras preparados com boa drenagem e 20 cm de profundidade no mínimo.

A quantidade de sol direto recebido é um fator importante, pois a baixa incidência solar torna a erva menos aromática, fato perceptível ao fazer a infusão. Já a pouca profundidade dos vasos limita o crescimento das ervas e diminui a quantidade de folhas.

Plantas indicadas para pequenos espaços

Camomila (Matricaria recutita): o preparo correto é feito com as flores. Seu efeito calmante alivia o estresse e ansiedade. Pode ser plantada em jardineiras e hortas verticais feitas de garrafas PET e jardineiras de PVC. Atinge até 40 cm de altura. Gosta de solos argiloarenosos e não tolera muito calor.

Capim-limão (Cymbopogon citratus): também chamada de capim-santo, possui longas folhas e tem aroma e sabor semelhante ao limão. Tem efeito calmante e refrescante. É recomendada para problemas de ansiedade, estomacais e intestinais. Como prefere solo mais seco e arenoso, deve-se incorporar um terço de areia à terra de plantio e regar pouco. Para que se desenvolva bem, é aconselhável plantar em vasos de boca larga e fundos, do tipo bacia. É uma boa opção por não necessitar de muitos cuidados.

Funcho (Foeniculum vulgare): conhecido também como anis-doce ou erva-doce. Sua propriedade antiespasmódica ajuda no tratamento de problemas gástricos. Pode ser utilizado sozinho ou combinado com outras ervas. Gosta de solos leves, férteis e bem drenados. O melhor momento para o plantio é durante os períodos de temperaturas mais amenas.

Funcho
Funcho (Foeniculum vulgare)

Hortelãs (Mentha sp.): por ser rica em variedades, é uma das plantas mais utilizadas para o preparo de chás. Sua propriedade digestiva diminui desconfortos gástricos e seu potencial analgésico combate dores de cabeça e problemas respiratórios como asma e bronquite. É possível cultivar até quatro mudas da mesma variedade em uma jardineira com 40 cm de comprimento desde que não divida espaço com outras plantas. Deve ser preferencialmente cultivada em jardineiras para se espalhar melhor e oferecer maior quantidade de folhas. Algumas são muito conhecidas e fáceis de encontrar, como a hortelã-pimenta, a hortelã-portuguesa, a menta e a hortelã-comum. Todas preferem solo fértil e levemente úmido.

Melissa (Melissa officinalis): é conhecida também como erva-cidreira. Seu efeito relaxante é ideal para reduzir o estresse, a ansiedade e melhorar a qualidade do sono. Aceita período diário de sol menor que as demais ervas. Prefere solo com boa drenagem, úmido e rico em matéria orgânica. Assim como a hortelã, o ideal é plantar algumas mudas em uma jardineira para gerar folhas com maior quantidade qualidade.

Sálvia (Salvia officinalis): possui folhas aveludadas e longas, com aroma semelhante ao do alecrim. Seu sabor forte e marcante é apreciado na culinária, principalmente quando misturado a outras ervas, como a melissa. Gosta de solo seco e arenoso, pois o excesso de água pode causar desenvolvimento de fungos brancos nas folhas. Deve ser plantada em vasos separados para aumentar a quantidade de folhas e facilitar o suprimento de água.

Plantas indicadas para cultivo em canteiros

Cavalinha (Equisetum hyemale): planta difundida no mundo inteiro, possui efeito diurético e anti-infeccioso. É útil para redução de peso e problemas ósseos. Como não produz sementes ou flores, reproduz-se apenas por brotamento. Atinge até dois metros de altura.

Cidreira de árvore (Lippia alba): conhecida também como erva-cidreira brasileira, possui propriedade calmante, antiespasmódica, analgésica e expectorante. É indicada para problemas menstruais, higiene íntima feminina e insônia. Pode chegar até um metro e meio de altura quando plantada diretamente no chão.

Cidreira de árvore
Cidreira de árvore (Lippia alba)

Erva-luísa (Aloysia triphylla): muito conhecida como verbena ou cidró, produz um chá com aroma e gosto citral. É muito indicada para dores de cabeça, nervosismo, má digestão e gripe. Deve ser plantada em solos férteis e sem umidade. Exige local com insolação direta, pois o vento frio pode diminui o potencial aromático e matar as folhas.

Hortelã-do-norte (Plectranthus amboinicus): também conhecido com malvarisco, seu aroma e sabor são semelhantes ao das hortelãs. Produz um chá intensamente refrescante quando misturado com um ou mais tipos de hortelã. É indicado para problemas na garganta, como rouquidão e tosse. Preferem solos úmidos e não toleram calor excessivo.

Dicas para colheita e preparo

Nunca retire as folhas com as mãos. Use sempre uma tesoura ou faca sem serra. Colher de forma errada pode atrapalhar o desenvolvimento da erva ou levá-la a morte.

Um dos segredos para um bom chá é nunca ferver as folhas ou flores. Assim, depois que a água soltar a primeira bolha de fervura, desligue o fogo, acrescente as ervas e deixe-as em infusão de cinco a dez minutos. A fervura ou aquecimento excessivo volatiza os compostos que dão aroma e sabor ao chá, diminuem suas propriedades medicinais e tornam seu gosto amargo.

Foto 1: H. Zell / Wikimedia Commons / CC BY-SA 3.0
Foto 2: Dick Culbert / Wikimedia Commons / CC BY 2.0

Referências

LORENZI, H.; MATOS, F. J. A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora, 2002.