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Tai chi chuan pode melhorar o equilíbrio

Prática corporal chinesa mostrou bons resultados até no tratamento de sintomas de Parkinson

Luigi Scorcia / Flickr / CC BY 2.0

Tai chi chuan apresenta melhores resultados que alongamentos no tratamento de Parkinson

Não é fácil encontrar um tratamento indolor e sem efeitos colaterais para a doença de Parkinson. Por esse motivo, a ciência tem pesquisado métodos que aliviem os sintomas trazidos pela doença. Alongamentos e treinos de resistência são técnicas conhecidas e eficientes para o sistema motor dos pacientes. Contudo, um estudo divulgado em 2012 na revista britânica New England Journal of Medicine mostra que o tai chi chuan pode ser uma boa opção.

A doença de Parkinson é caracterizada pela perda progressiva dos movimentos musculares, degeneração e morte de neurônios que controlam a transmissão dos impulsos eléctricos para os músculos do corpo humano. O estudo baseou-se na seleção de 195 pessoas com doença de Parkinson que apresentavam comprometimento do sistema motor, mas conseguiam andar e ficar em pé. Eles foram divididos em três grupos, sendo que cada uma delas recebeu um programa de atividades físicas: tai chi chuan, treinos de resistência ou alongamento.

Abrangência da doença

Estima-se que 1% dos indivíduos com idade acima de 65 anos tenha Parkinson, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Existem de 150 a 200 doentes em cada 100 mil habitantes, segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, publicado em 2010 . Se dividirmos a população por faixas etárias, 80% dos casos ocorrem entre os 60 e os 75 anos, o que relaciona a maior incidência da doença com a velhice. Porém, há 10% de casos que aparecem antes dos 45 anos, como aconteceu com o ator norte-americano Michael J. Fox, que descobriu a doença aos 37 anos de idade.  

Músculos mais fortes

As três turmas pesquisadas, nas quais foram divididas os 195 pacientes, frequentaram as atividades físicas recomendadas para o tratamento dos sintomas de Parkinson durante seis meses. Por duas vezes na semana, uma turma frequentou aulas de tai chi chuan, outra frequentou sessões de alongamento e a terceira participou de treinos para aumentar a resistência física.

Os resultados foram surpreendentes. Conforme os parâmetros estabelecidos na pesquisa, os participantes que fizeram tai chi chuan demonstraram equilíbrio duas vezes melhor do que o grupo de treinamento de resistência e quatro vezes melhor do que o grupo que fez alongamentos.  Ao contabilizarem as quedas e os desvios ao longo de trajetos estabelecidos, os pesquisadores contaram números de duas a quatro vezes menores para aqueles que fizeram as aulas de tai chi chuan.

A prática também fortaleceu a musculatura envolvida no equilíbrio, o que resultou em taxas menores de degeneração do sistema motor. “Estes resultados são clinicamente significativos porque sugerem que o tai chi, um exercício de baixo ou moderado impacto, pode ser usado como um auxiliar nas terapias físicas usadas atualmente para tratar de alguns problemas-chave no mal de Parkinson, tais como instabilidade da postura e no andar”, comenta o médico Fuzhong Li, integrante do grupo de pesquisadores do estudo.

Sintomas de Parkinson

Os resultados de tratamentos alternativos são melhores em fases iniciais da doença. O problema é que 50% dos portadores só a descobrem em estágios avançados. Os primeiros sintomas podem aparecer como um cansaço ao final do dia, a caligrafia pode se tornar menos legível ou a fala pode se tornar mais arrastada. Podem ocorrer lapsos de memória, dores musculares e outros indícios facilmente confundidos com estresse.

À medida que a enfermidade avança, um braço ou uma perna podem perder movimentos e os primeiros tremores aparecem. Geralmente, é apenas nesse estágio que as pessoas procuram ajuda profissional.